terça-feira, 7 de junho de 2011

a noite dos dias

palavras não ditas, que se calam ao nascer...
um não dizer que se grita...que s'implora e se sufoca..
o mundo gira e o Homem se perde em seu caminho
nega a Luz e no turbilhão já se afundou

olho em redor e vejo sombras
névoas que se arrastam num gemido inconstante...
dar-te-ia a minha mão...mas nada sei para além do que já foi dito...
nesta solidão do meu caminho, agarro cada pedra e bebo a Luz de cada brisa
sou quem sou...um Ser que se ergue no vazio e flutua...
os meus pés não tocam o chão
olho em frente na escuridão

porque sempre me perdi, para depois me encontrar
porque sempre caí com o sentido de me levantar
deixo-me banhar pelo teu negrume...
procuro-te a paz e encontro-me na vastidão...

em redor o silencio...
dentro de mim tudo o que nunca direi...
no gélido toque do infinito, 
encontro a força de continuar

as sombras se contorcem 
os gemidos se abafam
repisam-se as areias, quentes de tanto serem caminhadas
renascem-se as certezas e entregam-se os corpos ao turbilhão

quinta-feira, 2 de junho de 2011

insónias...

inquietam-se-me as noites...aborrecem-se me os dias...
a luz do anoitecer desperta-me a adormece-me o nascer do dia...
ando de passos trocados, de revoltas mansas e suaves explosões.
pergunto-me que me agita, e que me suga a vontade...
sombras sem forma, formas sem espaço e lugar...
são gritos murmurados e segredos gritados ao chegar.


porque me perco na dúvida das certezas que não me apetece pensar...
não caminho por não ter vontade, não espero por não me apetecer...
sou dia e noite na verdade
tudo e nada, num vazio cheio de um pouco de coisa nenhuma


não entrego neste marasmo...
não me afogo na secura desta espera...
aquieto a minh'alma e procuro-me pra seguir viagem
que o meu caminho é de longe e a chegada de longa espera...