quarta-feira, 2 de novembro de 2011

a menos que...

a menos que tudo seja nada
a menos que o nada se multiplique
a menos que me encontre nesta perdição
serei apenas a sombra 


se ao menos o trilho se escrevesse
se ao menos as falésias se movessem
se ao menos eu me lesse sem tanto ruído
eu saberia


se um dia e depois outro chover
se uma vez e depois outra parar
se hoje e amanhã fossem já ontem
talvez tivesse vontade


quando um momento for eterno
quando o momento passar
quando passou num momento
um momento será tempo demais


e a onda que se rebenta 
o vento que se enfurece
a chuva que se afoga
a noite que desce
serão companheiros da solidão
ouvidos do silencio
e regaço de um colo perdido

terça-feira, 7 de junho de 2011

a noite dos dias

palavras não ditas, que se calam ao nascer...
um não dizer que se grita...que s'implora e se sufoca..
o mundo gira e o Homem se perde em seu caminho
nega a Luz e no turbilhão já se afundou

olho em redor e vejo sombras
névoas que se arrastam num gemido inconstante...
dar-te-ia a minha mão...mas nada sei para além do que já foi dito...
nesta solidão do meu caminho, agarro cada pedra e bebo a Luz de cada brisa
sou quem sou...um Ser que se ergue no vazio e flutua...
os meus pés não tocam o chão
olho em frente na escuridão

porque sempre me perdi, para depois me encontrar
porque sempre caí com o sentido de me levantar
deixo-me banhar pelo teu negrume...
procuro-te a paz e encontro-me na vastidão...

em redor o silencio...
dentro de mim tudo o que nunca direi...
no gélido toque do infinito, 
encontro a força de continuar

as sombras se contorcem 
os gemidos se abafam
repisam-se as areias, quentes de tanto serem caminhadas
renascem-se as certezas e entregam-se os corpos ao turbilhão

quinta-feira, 2 de junho de 2011

insónias...

inquietam-se-me as noites...aborrecem-se me os dias...
a luz do anoitecer desperta-me a adormece-me o nascer do dia...
ando de passos trocados, de revoltas mansas e suaves explosões.
pergunto-me que me agita, e que me suga a vontade...
sombras sem forma, formas sem espaço e lugar...
são gritos murmurados e segredos gritados ao chegar.


porque me perco na dúvida das certezas que não me apetece pensar...
não caminho por não ter vontade, não espero por não me apetecer...
sou dia e noite na verdade
tudo e nada, num vazio cheio de um pouco de coisa nenhuma


não entrego neste marasmo...
não me afogo na secura desta espera...
aquieto a minh'alma e procuro-me pra seguir viagem
que o meu caminho é de longe e a chegada de longa espera...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

espero

tem passado devagar, o tempo que me afasta do que não tenho mais...
no lugar do vazio que ficou permanece o espaço que um dia se preencherá.
tenho em mim que não se perdem os anjos, 
apenas se encontram noutro tempo, noutro lugar
onde está o que me sussurrou aquela história...não sei...só tempo dirá


das cores que me rodeiam, vejo aos poucos mais que a silhueta
dos cheiros e sabores, retomo a mão e misturo a bel prazer
ainda me baralho no caminho, mas sempre encontro o passo em frente
ainda me desanimo, mas procuro ainda e sempre


não sei quem serás, mas sei quem és
não sei como virás, mas os anjos vêem na bruma,
não te sentirei chegar, mas saberei que estás para ficar


partilho com o Amor a espera 
sem fazer planos, sem dizer nada, sabendo-te apenas...
do Luar recebo o brilho, do Sol o quente toque que me afaga
com uma pitada de Saudade se faz um elixir de arco-íris...
com um Beijo que se entrega nasce o dia
com um Toque que se troca se faz Magia...
com o Olhar que se cruza se diz....Amo-te

quinta-feira, 19 de maio de 2011

o dia em que encontrei e perdi...

há alturas na vida em que o mundo gira demasiado depressa
enrolei-me nas vagas desse mar e não tomei pé sem antes me afogar...
de mágoas e névoas, de ventos e gritos...
enrola e rebolam os sentidos, o céu e o chão, sem cor sem limite...
vi-me e revi-me a passar...perdi e encontrei-me, sem nunca me achar...


cansada dei à costa...envolta em confusão de sons e cores,
do que ganhei, tudo perdi, fica o vazio,cheio de ilusões...
encho-me de forças, de onde as não tenho pra andar,
porque amanhã tem de chegar, num ontem que ainda não  me deixou...
procuro o sentido no labirinto que em mim se criou,
insisto na vida, quando ela nas mão me escapou...


um resto de alguém que se faz valer, vai erguer novos pilares,
pra uma história que ainda se vai contar, um caminho que ainda se vai percorrer...
do turbilhão fica a nódoa e a vontade de a arrancar.
na vertigem em que me encontrei, hei-de traça-te de novo em mim,
hei-de traçar-me de novo em ti, hei-de traçar-nos de novo em nós
e escrever o dia em que as onda apenas murmuram e o Sol nelas reflecte seu brilho............

quinta-feira, 28 de abril de 2011

linhas escritas sem palavras

deixei linhas em branco no livro dos meus dias...
não por não ter que escrever, mas porque o rumo por vezes se turva...
porque por vezes não é preciso dizer...
não secou o pincel, com que traço uma história, procurou-se apenas a palavra que seguiu...
ter-me ao certo nas páginas da vida, é como caminhar o incerto pela tua mão...
procurei-me nos olhos do Sol...perdi-me no brilho da Lua...
mil vezes me escrevi a fogo e fel...outras mil me entreguei à vida tua...
não deixei de escrever o meu caminho...não te deixei de traçar em minha vida...
tento as cores que nos contam sem palavras...
escrevo a historia sem caminho conhecido...

segunda-feira, 28 de março de 2011

neblina em mim...

olhei me no espelho e perguntei-me quem sou..
revi-me na neblina...uma gota de nada, um suspiro de vazio...
tracei-me há tempos...mas não me encontro nestas linhas...por onde sigo, qual o caminho...


encontro-me num qualquer lugar, outro que não aqui...
vejo-me num diferente olhar, um vislumbre do que vivi...


o que sei e o que sinto misturam-se em mil porquês...
o que é amanhã, não é hoje...
o que foi ontem será sempre, as certezas...os talvez...


não me baralha o silencio, mas sim a ausência de te ouvir..
não me confundem as sombras, são de teus gestos...sinais do teu existir
perdi-me por dentro, encontro-me fora de mim...
atraco o meu barco no teu porto
fundeio minh'ancora em teu regato...
depois misturo-me com a bruma e vagueio...
hei-de encontrar-me em meu ninho..
hei-de encontra-lo em mim...