há alturas na vida em que o mundo gira demasiado depressa
enrolei-me nas vagas desse mar e não tomei pé sem antes me afogar...
de mágoas e névoas, de ventos e gritos...
enrola e rebolam os sentidos, o céu e o chão, sem cor sem limite...
vi-me e revi-me a passar...perdi e encontrei-me, sem nunca me achar...
cansada dei à costa...envolta em confusão de sons e cores,
do que ganhei, tudo perdi, fica o vazio,cheio de ilusões...
encho-me de forças, de onde as não tenho pra andar,
porque amanhã tem de chegar, num ontem que ainda não me deixou...
procuro o sentido no labirinto que em mim se criou,
insisto na vida, quando ela nas mão me escapou...
um resto de alguém que se faz valer, vai erguer novos pilares,
pra uma história que ainda se vai contar, um caminho que ainda se vai percorrer...
do turbilhão fica a nódoa e a vontade de a arrancar.
na vertigem em que me encontrei, hei-de traça-te de novo em mim,
hei-de traçar-me de novo em ti, hei-de traçar-nos de novo em nós
e escrever o dia em que as onda apenas murmuram e o Sol nelas reflecte seu brilho............
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