quinta-feira, 2 de junho de 2011

insónias...

inquietam-se-me as noites...aborrecem-se me os dias...
a luz do anoitecer desperta-me a adormece-me o nascer do dia...
ando de passos trocados, de revoltas mansas e suaves explosões.
pergunto-me que me agita, e que me suga a vontade...
sombras sem forma, formas sem espaço e lugar...
são gritos murmurados e segredos gritados ao chegar.


porque me perco na dúvida das certezas que não me apetece pensar...
não caminho por não ter vontade, não espero por não me apetecer...
sou dia e noite na verdade
tudo e nada, num vazio cheio de um pouco de coisa nenhuma


não entrego neste marasmo...
não me afogo na secura desta espera...
aquieto a minh'alma e procuro-me pra seguir viagem
que o meu caminho é de longe e a chegada de longa espera...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

espero

tem passado devagar, o tempo que me afasta do que não tenho mais...
no lugar do vazio que ficou permanece o espaço que um dia se preencherá.
tenho em mim que não se perdem os anjos, 
apenas se encontram noutro tempo, noutro lugar
onde está o que me sussurrou aquela história...não sei...só tempo dirá


das cores que me rodeiam, vejo aos poucos mais que a silhueta
dos cheiros e sabores, retomo a mão e misturo a bel prazer
ainda me baralho no caminho, mas sempre encontro o passo em frente
ainda me desanimo, mas procuro ainda e sempre


não sei quem serás, mas sei quem és
não sei como virás, mas os anjos vêem na bruma,
não te sentirei chegar, mas saberei que estás para ficar


partilho com o Amor a espera 
sem fazer planos, sem dizer nada, sabendo-te apenas...
do Luar recebo o brilho, do Sol o quente toque que me afaga
com uma pitada de Saudade se faz um elixir de arco-íris...
com um Beijo que se entrega nasce o dia
com um Toque que se troca se faz Magia...
com o Olhar que se cruza se diz....Amo-te

quinta-feira, 19 de maio de 2011

o dia em que encontrei e perdi...

há alturas na vida em que o mundo gira demasiado depressa
enrolei-me nas vagas desse mar e não tomei pé sem antes me afogar...
de mágoas e névoas, de ventos e gritos...
enrola e rebolam os sentidos, o céu e o chão, sem cor sem limite...
vi-me e revi-me a passar...perdi e encontrei-me, sem nunca me achar...


cansada dei à costa...envolta em confusão de sons e cores,
do que ganhei, tudo perdi, fica o vazio,cheio de ilusões...
encho-me de forças, de onde as não tenho pra andar,
porque amanhã tem de chegar, num ontem que ainda não  me deixou...
procuro o sentido no labirinto que em mim se criou,
insisto na vida, quando ela nas mão me escapou...


um resto de alguém que se faz valer, vai erguer novos pilares,
pra uma história que ainda se vai contar, um caminho que ainda se vai percorrer...
do turbilhão fica a nódoa e a vontade de a arrancar.
na vertigem em que me encontrei, hei-de traça-te de novo em mim,
hei-de traçar-me de novo em ti, hei-de traçar-nos de novo em nós
e escrever o dia em que as onda apenas murmuram e o Sol nelas reflecte seu brilho............

quinta-feira, 28 de abril de 2011

linhas escritas sem palavras

deixei linhas em branco no livro dos meus dias...
não por não ter que escrever, mas porque o rumo por vezes se turva...
porque por vezes não é preciso dizer...
não secou o pincel, com que traço uma história, procurou-se apenas a palavra que seguiu...
ter-me ao certo nas páginas da vida, é como caminhar o incerto pela tua mão...
procurei-me nos olhos do Sol...perdi-me no brilho da Lua...
mil vezes me escrevi a fogo e fel...outras mil me entreguei à vida tua...
não deixei de escrever o meu caminho...não te deixei de traçar em minha vida...
tento as cores que nos contam sem palavras...
escrevo a historia sem caminho conhecido...

segunda-feira, 28 de março de 2011

neblina em mim...

olhei me no espelho e perguntei-me quem sou..
revi-me na neblina...uma gota de nada, um suspiro de vazio...
tracei-me há tempos...mas não me encontro nestas linhas...por onde sigo, qual o caminho...


encontro-me num qualquer lugar, outro que não aqui...
vejo-me num diferente olhar, um vislumbre do que vivi...


o que sei e o que sinto misturam-se em mil porquês...
o que é amanhã, não é hoje...
o que foi ontem será sempre, as certezas...os talvez...


não me baralha o silencio, mas sim a ausência de te ouvir..
não me confundem as sombras, são de teus gestos...sinais do teu existir
perdi-me por dentro, encontro-me fora de mim...
atraco o meu barco no teu porto
fundeio minh'ancora em teu regato...
depois misturo-me com a bruma e vagueio...
hei-de encontrar-me em meu ninho..
hei-de encontra-lo em mim...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sol

hoje quis falar ao Sol...
olha-lo nos olhos, dizer-lhe o quanto o preciso pra respirar...
quis que o seu quente e suave abraçar me cobrisse os ombros, tristes e pesados de lutar...
procurei-lhe o brilho pra me vestir de cor...
perguntei-lhe da brisa que me trespassou...


hoje procurei-te o mar...
procurei-te as ondas num abraço...
quis saber do profundo do teu Ser, perder-me sem tempo nem espaço...


hoje quis deitar-me nas tuas nuvens...
brancas e suaves caricias como beijos de pétalas perfumadas...


hoje e sempre preciso te para Viver...
quero mergulhar-te sem medo de não respirar...
vaguear no teu corpo e desnudar-me na tua Alma...
hoje precisei do meu Sol...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

espinhos....

reguei as minhas rosas com o pingo do que senti...
soprei nuvens, afastei sombras...abri ao Sol a clareira do meu peito...
cresceram suaves e delicadas, com a cor do infinito e o doce perfume da maresia...
contei-lhes do Sol e da Lua...falei lhes de Amor e poesia...
olhei-as como mãe...cobri-as de mel e açucar em pó...
vi, uma a uma, a tornarem-se mulheres, na sua força e delicadeza...
encheram-me de calor e primavera... sussurraram-me Sonhos e Desejos...


Hoje, quando as acariciei...
foi uma onda que me derrubou...um vento que me tirou o chão...
o quente que me tocou era outro...
uma gota de sangue que se desenhou entre os meus dedos...
um arrepio que me cortou as palavras...
a Luz que se esvaia de mim....

era uma espinho...
um espinho que tinha a minha bela rosa...
um espinho que me perfurou a Alma...
um espinho que me acordou os sentidos...
um espinho...a minha rosa tem um espinho...
bela, doce e cheia de Amor..., tem um espinho que se cravou em mim...
minha rosa...que tanto Quero, que tanto Amo...